O que “Emily em Paris” não aprofunda no marketing
- Carol Santana
- 26 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Para quem acompanha Emily em Paris, a série estreou em 18 de dezembro na Netflix e já está em sua 5ª temporada. Nesta nova fase, inclusive, a narrativa se desloca para Roma. No entanto, o que nos propomos a analisar aqui vai além da sofisticação dos cenários e dos romances da protagonista.
Apesar de Emily ser interpretada por Lily Collins e ocupar, na trama, o cargo de executiva de marketing, a série pouco se aprofunda nos aspectos estratégicos, técnicos ou reais da profissão. O marketing aparece mais como pano de fundo estético do que como elemento central de desenvolvimento narrativo.
A trajetória da personagem é conduzida, majoritariamente, por seus envolvimentos amorosos e conflitos pessoais, enquanto sua atuação profissional surge de forma simplificada, muitas vezes romantizada e distante da complexidade do mercado real, principalmente quando falamos de marcas voltadas ao luxo, comportamento do consumidor e comunicação estratégica.
No início da série, Emily, uma americana, começa a trabalhar em uma tradicional empresa francesa voltada para moda, beleza e luxo. O choque cultural é retratado de maneira caricata, reforçando estereótipos tanto dos franceses quanto dos estrangeiros. Mesmo sendo criativa e inovadora, a protagonista sempre remete suas ideias ao ambiente digital.
Seguidores
Não foi à toa que essa se tornou uma de suas estratégias, já que, no início, em 2020, ela tinha poucos seguidores e conseguiu alavancar sua visibilidade ao participar de uma festa de influenciadores, atraindo mais pessoas por meio de stories criativos e bem-humorados. Porém, nem sempre a quantidade de seguidores é a melhor métrica ou garante o aumento das vendas. É melhor ter poucos seguidores com poder de compra do que milhares que não decidem ou não se deixam influenciar.
Podemos observar isso no engajamento dos fãs de Virgínia, que, mesmo tendo mais de 53 milhões de seguidores, arrecadou somente R$ 400 mil para o Teleton 2025. Já Emily se destaca por usar inovação, criatividade, agregar valor e defender suas ideias, mesmo errando algumas vezes. Para fazer marketing de moda, segundo o Sebrae, é necessário envolver estratégias e estudos voltados à fidelização dos clientes, o que não é aprofundado na série.
Ao definir essas estratégias, é fundamental realizar estudos de mercado, analisar as preferências do público-alvo, gerir a comunicação com o cliente e buscar formas criativas de apresentar o produto para estimular a compra. Nas etapas de estudo e análise, a série falha em alguns momentos. Emily, muitas vezes, parece “mágica”, tirando ideias do nada, algumas dão certo, outras não. Podem identificar pelo episódio da bolsa fake.
Não basta ter um bom produto, é preciso saber vendê-lo. A Coca-Cola, por exemplo, é uma das marcas mais consumidas no mundo, mas nem por isso deixa de investir em propaganda. De acordo com uma matéria da revista Exame, divulgada em outubro deste ano, a empresa investiu cerca de R$ 11 bilhões nos últimos dois anos para expandir sua operação no Brasil.
Além da propaganda
O marketing vai além da propaganda, especialmente quando se trata de moda, já que a aplicação de estratégias e técnicas envolve pesquisa de mercado, posicionamento de marca, desenvolvimento de produtos e criação de experiências para o consumidor.
Ainda mais em Paris, conhecida como a capital mundial da moda, título conquistado entre os séculos 16 e 17, períodos em que houve a junção do governo do Rei Luís 14 com um estilo vaidoso e extravagante, além do incentivo ao setor têxtil e à produção de tecidos. É fundamental entender os clientes, identificar tendências de mercado, manter uma comunicação direcionada às vendas e aproveitar oportunidades de engajamento.
Esses são alguns pontos essenciais a serem considerados. Ao manter proximidade com o público, a Escola Britânica de Artes Criativas & Tecnologia (EBAC), por exemplo, proporciona experiências que fortalecem as marcas em 2026, incluindo webinars gratuitos sobre o universo atual.
O profissional de marketing precisa estar atento a todos esses aspectos diariamente, algo que não é aprofundado na série. Embora não tenha sido produzida com esse objetivo, ela se propõe a inspirar e ensinar, mas acaba, em muitos momentos, amenizando a realidade do mercado.
A narrativa transmite a ideia de que qualquer pessoa pode atuar na área de marketing sem preparo técnico ou embasamento estratégico, o que não condiz com a complexidade da profissão. Ao simplificar excessivamente os processos, a série desconsidera a necessidade de estudo, análise de dados e planejamento — elementos essenciais para a construção de estratégias assertivas e sustentáveis. Contudo, vale a pena ver para tirar as próprias conclusões.




